A prova de proficiência em língua estrangeira costuma ser um dos momentos que mais causam ansiedade em quem está prestes a ingressar em um programa de mestrado ou doutorado. Não é raro ouvir relatos de candidatos que têm verdadeiro receio dessa etapa, como se ela fosse um obstáculo quase intransponível. Mas quero começar este texto dizendo algo simples e verdadeiro: você consegue. E falo com propriedade, pois também estive nesse lugar, tanto no mestrado quanto no doutorado, e sei bem como é enfrentar esse desafio com um dicionário debaixo do braço e o coração acelerado.

A prova de proficiência não exige fluência, tampouco domínio irrestrito do idioma. Na maior parte dos programas, o objetivo é avaliar se o candidato consegue compreender textos acadêmicos, especialmente artigos científicos — em língua estrangeira, geralmente inglês, francês ou espanhol. Ou seja: é uma prova de leitura. A partir disso, algumas dicas podem fazer grande diferença na sua preparação.

A primeira é: leia textos acadêmicos em outros idiomas com frequência. Pode parecer óbvio, mas muitas pessoas só começam esse tipo de leitura às vésperas da prova. O ideal é criar familiaridade com o vocabulário técnico da sua área. Como costumo dizer em minhas orientações, “o vocabulário de pesquisa também é uma ferramenta de trabalho, como o olhar atento do pesquisador”. Assim, é importante ler artigos de revistas internacionais, especialmente os que dialogam com sua linha de pesquisa.

Outra dica é treinar a habilidade de identificar rapidamente a estrutura de um texto acadêmico: título, resumo, palavras-chave, introdução, metodologia e conclusões. A maioria das provas traz trechos com perguntas sobre o objetivo do autor, o método utilizado ou o argumento central. Ter prática em localizar essas informações ajuda (e muito). Use simulados, provas anteriores e questões de concursos da área. Treinar com textos reais dá segurança e agilidade.

Além disso, familiarize-se com os chamados falsos cognatos (palavras parecidas com o português, mas com significados diferentes) e com expressões recorrentes em artigos científicos. Ter um pequeno glossário com esses termos pode ser útil na hora da prova.

E, claro, não despreze a possibilidade de realizar cursos de leitura instrumental em inglês ou espanhol. Muitas universidades e institutos oferecem esses cursos gratuitamente ou a preços acessíveis. Eles focam justamente no tipo de leitura exigida nas provas de proficiência, com estratégias específicas para compreensão textual.

Por fim, deixo uma palavra de tranquilidade. A prova de proficiência é um momento importante, sim, mas não deve ser encarada com pânico. Trata-se de uma etapa que exige preparo, mas também confiança. Você não precisa saber escrever uma tese em francês, nem debater em inglês com fluência impecável. Precisa, antes, ser capaz de entender o que está sendo dito nos textos que embasarão sua pesquisa. É isso que os programas esperam, e é isso que você, com dedicação, certamente alcançará.

Como escrevi em um de meus artigos, “a pesquisa começa com a escuta e o olhar atento para o mundo, e aprender a escutar o outro idioma também é uma forma de ampliar esse olhar”. Vá com calma, treine com seriedade, e lembre-se: o medo passa, o conhecimento fica.

Por Prof. Dr. Renan Antônio da Silva